Dinâmica das populações
Os parâmetros de crescimento são difíceis de obter
Informação sobre
o tamanho máximo e idade dos peixes, as relações comprimento/peso bem como o
conhecimento dos seus parâmetros de crescimento e da sua mortalidade natural, são
cruciais para uma correcta gestão das pescas.
Embora
estes parâmetros sejam fáceis de obter para a maioria das espécies, tê-los
disponíveis- no formato apropriado- sempre que necessário, é bastante mais
difícil.
Este
problema é ampliado no caso dos parâmetros de crescimento, que são os de mais
difícil obtenção porque, geralmente, provêm de teses de mestrado, ou de
pequenos artigos científicos. Assim, a investigação no campo da avaliação de
stocks pode ser acelerada tornando disponível os parâmetros já conhecidos, quer
para corrigir resultados que foram obtidos utilizando os valores de stocks
vizinhos, quer fornecer dados para a verificação de resultados. O mesmo se
aplica para a mortalidade natural.
Estes
pontos são tão importantes na investigação das pescas tropicais que, em 1987,
foram a razão da proposta de criação duma base de dados que veio a ser a
FishBase, e a qual incluía “um sumário sobre toda a informação de crescimento e
mortalidade de cada espécie [...] com o objectivo último de cobrir 2.500 espécies”
(Pauly 1988).
Incluímos os parâmetros de crescimento de mais de 1.150 espécies
Esta visão
subestimou o número de espécies a incluir na FishBase (que foi 10 vezes
superior ao inicialmente previsto), mas sobreestimou o número de espécies para
as quais existia informação: neste momento, identificámos bibliografia
publicada para mais de 1.150 espécies, e parece-nos que não vai ser possível
chegar às 2.000 espécies até ao ano 2000. No entanto as espécies incluídas
presentemente, representam 95% das espécies comerciais conhecidas, assegurando,
portanto, a relevância das entradas nas três tabelas apresentadas abaixo.
De igual modo, os stocks para os quais são incluídas
mais de 500 séries temporais de recrutamento, pertencem aos stocks de espécies
mais importantes a nível mundial.
Tomámos
algumas precauções no sentido de assegurar uma maior confiança nas entradas das
tabelas, incluindo, de entre outras, a rejeição de resultados não coincidentes
com outros já obtidos para a mesma espécie (ou similar). Contudo, temos
consciência que estas precauções não corrigem erros que sejam originários de
artigos publicados ou da introdução incorrecta dos dados. Esperamos que nos
contactem aquando da detecção de erros deste tipo ou inconsistências, para que possam
ser corrigidos na próxima versão. Vamos confirmar, em especial, os casos
assinalados como “fora da área” no
campo Notas, que se referem a
estudos conduzidos em locais fora da área usual duma dada espécie e que
portanto, se devem, provavelmente, a identificações incorrectas.
A informação sobre a dinâmica das populações pode ser
impressa:
·
por família, usando os
relatórios predefinidos que podem ser acedidos através do Menu Principal da
FishBase;
·
por espécies, a partir
das respectivas tabelas;
·
como parte da sinopse
da espécie.
Referências Pauly, D.
1988. Resource assessment and management program, p. 47-66. In ICLARM
five-year plan (1988-1992), part 1. Directions and opportunities.
International Center for Living Aquatic Resources Management (ICLARM), Manila.
Daniel
Pauly e Crispina Binohlan
A nossa resposta ao
livro Guiness de Recordes Mundiais
A Tabela POPGRÁFICOS
Esta tabela inscreve informação sobre o comprimento
máximo (Lmax), peso (Wmax) e idade (tmax) da espécie considerada, em vários locais onde ocorre. Os maiores valores desta tabela
também se encontram na tabela ESPÉCIES. A tabela POPGRÁFICOS também indica se
os valores Lmax, Wmax e tmax ou as suas várias combinações se referem ao mesmo
indivíduo.
Caixa 10.
Distribuição dos comprimentos máximos pelas espécies de peixes.
Não
é tão simples como parece fazer e interpretar histogramas da frequência das
espécies em relação ao seu comprimento máximo. Assim, para serem
interpretáveis, os histogramas deverão ter classes de tamanho constantes (neste
caso de comprimento), e o número destas classes não deverá ser demasiadamente
baixo nem elevado (i.e., 15-30, veja Sokal and Rohlf 1995). No entanto, o
tamanho máximo dos peixes varia entre 1cm (por ex. góbios) e 14m
(tubarão-baleia Rhincodon typus) e se
fossem utilizadas classes de tamanhos de, por exemplo 50cm (o que originaria um
número apropriado de classes), a maioria das espécies ficaria incluída nas
classes de tamanho mais pequeno e muitas outras classes ficariam vazias.
Utilizando
logarítmos (do comprimento) obtem-se um gráfico (Fig. 11) muito mais
interessante no qual aparecem distribuições normais do log (número de espécies)
vs log (comprimento). Estas linhas
caracterizam os peixes em geral (curva superior em que a maior parte das espécies
de peixes atingem o comprimento máximo de 25 cm) ou algum grupo de interesse
particular (curva a bold).
Nunca
vimos gráficos deste tipo anteriormente e gostariamos de saber a sua opinião
sobre a sua leitura e aplicações possíveis.
Referências
Sokal, R.R. and F.J. Rohlf. 1995. Biometry. Third
edition.W.E. Freeman, San Francisco. 887 p.
Daniel Pauly

Fig. 11.
Distribuição dos comprimentos da família Cihlidae e das restantes espécies de
peixes da FishBase.
A tabela
contém cerca de 1.200 registos de mais de 700 espécies tiradas de cerca de 400
referências.
Os
utilizadores da FishBase podem considerar esta tabela como a nossa resposta ao Livro Guiness dos Recordes
Mundiais (Anon. 1991) ou pensar sobre os inúmeras maneiras de utilizar estes
dados, p.ex., testar hipóteses sobre teorias biológicas (ver caixa 10).
Como chegar lá Clique
o botão Dinâmica de populações na
janela BIOLOGIA e o botão Tamanhos Máx.
na janela DINÂMICA DE POPULAÇÕES.
Referências Anon. 1991. Das neue Guinness Buch der Rekorde 1992.
Verlag Ullstein, Frankfurt. 354 p.
Crispina Binohlan e Daniel Pauly
Esta
tabela fornece os valores a e b de cerca de 3500 relações comprimento-peso da fórmula A=a ÿ Lb, pertencentes a cerca de 1.500 espécies de peixes.
Esta informação pode ser usada entre outras coisas para calcular a biomassa a
partir de observações subaquáticas das distribuições dos comprimentos.
Fontes Estas
relações comprimento-peso foram obtidas a partir de cerca de 1.100 referências,
p.ex., Carlander (1969; 1977); Cinco (1982); Dorel (1985); Bohnsack and Harper
(1988); Coull et al. (1989); Torres
(1991); e Kulbicki et.al.(1993).
Campos Incluímos
um campo calculado com o peso dum peixe de 10 cm para permitir a detecção de
erros grosseiros, sabendo da forma do corpo da espécie. Também existe um botão
de gráficos, na tabela do sumário, que quando accionado, mostra plots das
relações comprimento-peso que podem ser usados para identificar curvas que se
afastam da tendência normal.

Fig. 12. As
duas relações comprimento-peso existentes na FishBase para a espécie Gadus morhua.
Repare que
também pode utilizar o gráfico para estimar um peso a partir de um determinado
comprimento.
Um
campo de escolha indicando o método de cálculo dos parâmetros a e b, da relação comprimento-peso, foi incluído à tabela; estes
métodos são:
·
Tipo I (ou
predictivo) regressão linear de logW
sobre logL (método utilizado na
maioria dos casos);
·
Tipo II
(ou funcional) regressão linear de logw
sobre logL (como sugerido por Ricker
1975, mas raramente usado, visto que as relações comprimento-peso são
geralmente usadas para conhecer o W
a partir do L);
·
O mesmo que (1) ou (2),
mas corrigindo os bias sugeridos por
Sprugel (1983; ver também Vakily et al.
1986);
Vários métodos podem
ser usados para calcular o peso a partir do comprimento
·
Regressão não linear de
W sobre L, como recomendado por ex., por Saila et al. (1988);
·
De amostras de frequências
de comprimento e os seus pesos totais, usando os algoritmos de Pauly e Gayanilo
(1996);
·
Fazendo b=3, e usando um par de valores L-W para calcular a;
·
Fazendo b=3, e usando a média geométrica de L e W para obter o a, ou
calculando a para cada par de dados,
tomando depois a média dos valores resultantes para a;
·
Qualquer outro método
(a especificar no campo “Comentários”).
Como chegar lá Clique o botão Biologia
na janela ESPÉCIES, o botão Dinâmica da
populações na janela BIOLOGIA e o botão Relação L-W na janela DINÂMICA DE POPULAÇÕES.
Referências Anon. 1991.
Das neue Guinness Buch der Rekorde 1992. Verlag Ullstein, Frankfurt. 354 p.
Bohnsack, J.A. and D.E. Harper. 1988. Length-weight relationships of selected
marine reef fishes from the southeastern United States and the Caribbean. NOAA
Tech. Mem. NMFS-SEFC-215, 31 p.
Carlander, K.D. 1969. Handbook of freshwater fishery biology.
Vol. 1. The Iowa State University Press, Ames, Iowa. 752 p.
Carlander, K.D. 1977. Handbook of freshwater fishery biology.
Vol. 2. The Iowa State University Press, Ames, Iowa. 431 p.
Cinco, E. 1982. Length-weight relationships of fishes, p.
34-37. In D. Pauly and A.N. Mines (eds.) Small-scale fisheries of San Miguel Bay: biology and stock assessment. ICLARM Tech. Rep. 7, 124 p.
Coull, K.A., A.S. Jermyn, A.W. Newton, G.I. Henderson and W.B. Hall. 1989. Lenght-weight relationships for 88 species of
fish encountered in the North Atlantic. Scottish Fish. Res. Rep. 43, 80 p.
Dorel, D. 1985. Poissons de l'Atlantique nord-est:
relations taille-poids. Institut Français de Recherche pour l'Exploration de la
Mer, Paris. 165 p.
Kulbicki, M., G. Mou Tham, P. Thollot and L.
Wantiez. 1993. Length-weight relationships of fish from the
lagoon of New Caledonia. Naga, the ICLARM Q. 16(2-3):26-29.
Lenarz, W.H. 1994. Estimation of weight-length relationship
from group measurements. US Fish Bull. 93:198-202.
Pauly, D. and F.C. Gayanilo, Jr. 1996. Estimating the parameter of length-weight
relationship from length-frequency samples and bulk weights, p. 136. In D. Pauly and P. Martosubroto (eds.)
Baseline studies of biodiversity: the fish resources of western Indonesia.
ICLARM Stud. Rev. 23, 321 p.
Ricker, W.E. 1975. Computation and interpretation of
biological statistics of fish populations. Bull. Fish. Res. B. Can. 191, 382 p.
Saila, S.B., C.W. Recksiek and M.H.
Prager. 1988. Basic fishery science programs: a compendium
of microcomputer programs and manual of operation. Elsevier Science Publishing
Co., New York. 230 p.
Sprugel, D.G. 1983. Correcting for bias in log-transformed
allometric equations. Ecology 64(1):209-210.
Torres,
F. Jr. 1991. Tabular data on marine fishes from
Southern Africa, Part I. Length-weight relationships. Fishbyte 9(1):50-53.
Vakily, J.M., M.L. Palomares and D. Pauly. 1986. Computer programs for fish stock assessment: applications for the HP41 CV calculator. FAO Fish. Tech. Pap. 101 Suppl. 1, 255 p. Rome.
Crispina
Binohlan e Daniel Pauly
A informação desta tabela é necessária no cálculo da avaliação de
stocks
Esta tabela contém informação sobre crescimento, mortalidade
natural e o comprimento até à primeira maturação, que são dados importantes na
produção de modelos para a avaliação de stocks. Estes dados podem ainda ser
utilizados na produção de relações empíricas entre os parâmetros de crescimento
ou no cálculo de mortalidade natural e dados correlacionados (forma do corpo,
temperatura, etc), que configuram uma linha de investigação útil para a
avaliação dos stocks e também para conhecer melhor a evolução das estratégias
biológicas (Fig. 13).

Fig.
13. Gráfico auxiométrico para Sardinella longiceps e para 20%
dos dados de outras espécies.
Os parâmetros de crescimento incluídos nesta tabela
são os de von Bertalanffy (VBGF; von Bertalanffy 1938), que têm a fórmula:
Lt =L¥ (1- e-k
(t-t0)) …1)
Onde Lt
é o comprimento médio dum exemplar duma dada espécie com a idade t, L¥ é o seu comprimento médio assiptótico, isto é, o
comprimento que atingiram numa idade avançada, K é um factor de dimensão tempo-1, e t0 é a “idade teórica” (e
geralmente negativa) que teria com o comprimento zero.
Em semelhança, o VBGF para o crescimento em peso tem
a fórmula
Wt =W¥ (1-e -k
(t-t0)) b
…2)
Onde Wt
e W¥ são os pesos
correspondentes a Lt e L¥,
respectivamente, e b é o expoente de
relação comprimento-peso da fórmula
W=a.Lb
…3)
A tabela POPCRESCIMENTO inclui registos para os
quais, pelo menos, L¥ e K ou W¥ e K estão disponíveis, isto é, t0 pode não existir (este
parâmetro não biológico não é utilizado na maior parte dos modelos de avaliação
de stocks).
Fontes A
tabela contém, presentemente,
cerca de 4.600 parâmetros de crescimento calculados para mais de 1.150
espécies, extraídas de cerca de 2.000 fontes primárias e secundárias. As
compilações de Pauly (1978, 1980) contribuíram com cerca de 1/3 das entradas.
Campos Complementando
a MainRef uma DataRef é dada para cada grupo de parâmetros de crescimento, porque
frequentemente os parâmetros de crescimento são apresentados em artigos que não
fornecem os dados de onde os resultados provêm. Os “dados da fonte”, como
indicado por um campo de escolha, consistem em: anéis dos otólitos, anéis das
escamas, outros anéis anuais, anéis diários dos otólitos, marcação/recaptura,
frequência de comprimento, observações directas, vários tipos de dados, outros.
As secções Material e Métodos estão transcritas
Também o Método usado no cálculo é dado através
da selecção num campo de escolhas com os seguintes itens: Ford-Walford; von
Bartalanffy/Beverton; Gulland and Holt; regressão não linear; ELEFAN I;
outro(s) métodos.
A
avaliação doutros métodos, as suas exigências, bias e outras necessidades dos dados podem ser consultados em
Ricker (1975), Gulland (1983), Pauly (1984), Gayanilo et al. (1996) e outros textos sobre ciências das pescas.
Para
verificar o rigor dos parâmetros de crescimento incluímos:
a.
um campo de cálculo com
o índice de perfomance de crescimento N´ =log10k
+2log20L4 ; Pauly and Munro, 1984), que podem ser comparados
com os valores de N´de outros stocks da mesma espécie.
b.
um campo de escolha múltipla
descreve a forma como L¥
foi convertido em W¥,
com as seguintes escolhas:
·
Tal como dado para
crescimento em MainRef ou Ref.;
·
Calculado usando a
relação L/W do mesmo stock;
·
Calculado usando a
relação L/W de outro stock da mesma espécie;
·
Calculado utilizando a
relação L/W de espécies similares;
·
Outros (ver
Comentários)
c.
um campo sim/não é
usado para identificar os casos nos quais L4 difere da Lmax
(na tabela ESPÉCIES) em mais de 30% de Lmáx;
d.
um campo sim/não pode
ser utilizado para identificar pares duvidosos de parâmetros de crescimento (Lµ e K ou Wµ e K) pode ser o uso de grelhas auxiométricas, ou
seja, “plots” de logK versus logL4(ou W4) porque stocks diferentes da mesma espécie devem
formar distintos padrões elipsoides;
e.
um botão de gráfico na
tabela resumo que, quando se clica, mostra um gráfico do tamanho do corpo vs
idade relativa (Fig. 14) que pode ser utilizado para identificar curvas de
crescimento que estejam desviadas da tendência naormal;
f.
botões de gráfico que
mostram gráficos auxiométricos, por exemplo, plots de logK vs logL¥ (Fig. 13) ou W¥ (veja “Análises Auxiométricas”, neste volume).

Fig. 14. Comprimento do corpo vs idade relativa (t-t0)
em Oreochromis
niloticus niloticus. As curvas são baseadas nos parâmentros L¥ and K da tabela POPCRESCIMENTO, e VBGF (Equação 1).
Informação do tamanho na primeira maturação sexual,
que aparece numa tabela separada (MATURAÇÃO), é usada em conjunção com L4 para computar a “capacidade reprodutora” (Cushing,
1981) da população, ou seja, a razão Lm/L4 . A maior parte dos valores Lm referem-se ao comprimento médio ou ao comprimento a
partir do qual 50% da população está sexualmente madura, mas sempre que estas
estimativas não são dadas, ou não possam ser conseguidas a partir dos dados, Lm foi tomado como o valor
médio de valores já publicados.
Para alguns registos, as estimativas L4 têm ainda de ser confrontadas com os registos dos
comprimentos máximos (Lmax)
os quais, acreditamos, devem estar razoavelmente próximos (ver acima).
Esperamos pelo “feedback” dos
utilizadores àcerca do conteúdo e/ou utilidade desta tabela.
Como chegar lá Clique
o botão Biologia na janela ESPÉCIES,
O BOTÃO Dinâmica de populações na
janela BIOLOGIA, e o botão Crescimento
na janela DINÂMICA DE POPULAÇÕES.
Gayanilo, F.C. Jr., P. Sparre and D. Pauly. 1996. The FAO-ICLARM Stock Assessment Tool (FiSAT). User's Guide. FAO
Comp. Inf. Ser./Fish. 7, 126 p.
Gulland, J.A. 1983. Fish stock assessment: a manual of basic methods. FAO/Wiley, New York.
Pauly, D. 1978. A preliminary compilation of fish length
growth parameters. Ber. Inst. Meereskd. an der Christian-Albrechts
Univ. Kiel 55, 200 p.
Pauly, D. 1980. On the interrelationships between natural
mortality, growth parameters, and mean environmental temperature in 175 fish stocks. J. Cons. CIEM 39(2):175-192.
Pauly, D. 1984. Fish population
dynamics in tropical waters: a manual for use with programmable calculators.
ICLARM Stud. Rev. 8, 325 p.
Pauly, D. and J.L. Munro. 1984. Once more on growth comparison in fish and
invertebrates. Fishbyte 2(1):21.
Ricker, W.E. 1975. Computation and interpretation of
biological statistics of fish populations. Bull. Fish. Res. Board Can. 191. 382 p.
von Bertalanffy, L. 1938. A quantitative theory of organic laws II.
Hum. Biol. 10:181-213.
Crispina Binohlan e Daniel Pauly
Na FishBase são utilizados os parâmentos da função de
crescimento de von Bertalanffy ou VBGF (von Bertalanffy Growth Function) (veja
a “tabela POPCRESCIMENTO”, neste volume) para descrever o crescimento dos
peixes. Contudo, isto não resolve por si só, o problema mencionado por Kinne
(1960) uma vez que nenhum destes parâmentros possui a unidade do crescimento
(i.e., comprimento vs tempo ou peso vs tempo). L¥ e W¥ representam apenas o tamanho, e K e t0
têm apenas a dimensão tempo-1 e tempo, respectivamente. No entanto,
várias combinações destes parâmentros, e.g., L¥. K, possuem uma dimensão adequada (l/t) da taxa de
crescimento (Gallucci and Quinn 1979). Apesar
da base logarítmica os índices de crescimento:
Ø’ = logK + 2logL¥ …1)
e
Ø = logK + (2/3)logW¥ …2)
têm a unidade correcta da taxa de crescimento e são
amplamente utilizados para comparar o crescimento de diversos peixes e invertebrados,
devido a estes terem uma distribuição normal para diferentes populações de uma
mesma espécie (veja, por ex., Moreau et al. 1986).
Esta última característica também permite estimar K a partir de L¥ ou W¥ quando a o seu Ø’ ou Ø (média) é conhecido a partir
de uma ou mais populações (Munro & Pauly 1983; Pauly
& Munro 1984).
Os declives de 2 e 2/3 nas Equações (1) e (2)
respectivamente, foram estimados por Pauly (1979) a partir de uma grande série
de dados documentados em Pauly (1978, 1979), e que são agora incluídos na
FishBase. A Equação (1) implica que que os gráficos de logK vs logL¥ tenham em média um declive igual a 2. Do mesmo modo,
a Equação (2) implica que os gráficos de logK vs logL¥ tenham em média um declive de 2/3.
Um gráfico auxiométrico (do Grego “crescimento” e
“medida”) é um gráfico do parâmentro K de VBGF vs tamanho assimptótico (L¥ or W¥), com ambos os eixos em escala logarítmica. Uma
população com uma série de parâmentros de crescimento (L¥, K or W¥ , K) é
representada por um único ponto, e diferentes populações da mesma espécie terão
tendência a formar um grupo (“cluster” ) de pontos. Uma vez que as equações (1)
e (2) implicam que a estes grupos de pontos possam ser ajustadas linhas de
regressão de declive conhecido, também aos grupos de pontos podem ser
sobrepostas elipses com eixos de declive 2 ou 2/3, respectivamente, com
intercepções iguais a Ø’ ou Ø, e áreas de superfície relacionadas com a variabilidade
dos dados representados.
O programa AUXIM estima a área de confiança de 95% para os
parâmentros de crescimento
Assim, elipses AAacuja circunferência contém 95% da área de confiança (S95) de um cluster com valores L¥ , K (ou W