Introdução

Bem-vindo à FishBase

 

A FishBase contém informação sobre os mais variados temas

 
A FishBase é um sistema de informação com dados chave sobre a biologia de todos os peixes importantes. Semelhante a uma enciclopédia, a FishBase contém coisas diferentes para pessoas diferentes. Por exemplo, os gestores de pesca mergulharão na maior compilação existente sobre a dinâmica de populações; os taxonomistas adorarão a versão electrónica do catálogo dos géneros de peixes actuais de Eschmeyer (1990); os conservacionistas usarão as listas de peixes ameaçados em cada país (IUCN 1996); os políticos poderão estar interessados na lista cronológica anotada das introduções efectuadas no seu país; os investigadores, assim como as agências de fundos, podê-la-ão achar útil quando pretenderem ter um panorama rápido do que é conhecido e do que é ainda desconhecido sobre certas espécies; os zoólogos e fisiologistas  terão acesso à maior compilação existente sobre a morfologia dos peixes, o seu metabolismo, a sua área brânquial, o tamanho do cérebro, o pigmento dos olhos, ou a velocidade de deslocação; os ecologistas usarão dados sobre a dieta, a estratégia alimentar, as presas e os predadores como “inputs” para os seus modelos; a aquacultura ficará surpreendida ao ver uma base de dados  funcional com os tratados de Genética teórica e com experiências de cultura, bem como as bases para um registo global de estirpes; a indústria pesqueira encontrará informação recente, bem como recomendações sobre o processamento industrial de muitas espécies marinhas; os pescadores desportivos terão disponível uma listagem de todos os peixes que ocorrem num determinado país (IGFA 1994); os estudantes encontrarão cerca de 60.000 nomes comuns de peixes, juntamente com informação sobre a língua e a cultura nos quais são usadas, com comentários etimológicos.

 

Mergulhadores, pescadores desportivos, aquarófilos e investigadores podem criar a sua base de dados pessoal/institucional de onde e quando observaram, capturaram ou adquiriram determinado peixe. Gestores de biodiversidade piscícola podem criar bases de dados nacionais para apoiar regulamentos e avaliar o impacto ambiental dos costumes locais, nas comunidades piscícolas. Antropologistas podem criar uma base de dados sobre o conhecimento local acerca de peixes.

 

Esta base de dados é acessível através dum software simples, usando qualquer PC-IBM compatível, com um leitor de CD-ROM e o Microsoft Windows instalado.

 

Os capítulos seguintes descrevem os conceitos que caracterizam a FishBase, as suas fontes de informação e a explicação detalhada do seu  modo de operação.

 

A FishBase foi criada pelo Centro Internacional de Gestão dos Recursos Vivos Aquáticos (ICLARM) em colaboração com a FAO e muitos outros parceiros. Foi financiada através de bolsas concedidas pela Comissão Europeia e pelo ICLARM.

Referências

Pode criar bases de dados pessoais, institucionais e nacionais.

 
Eschmeyer, W. N. 1990. Catalog of the genera of recent fishes. California Academy of Sciences, San Francisco. 697 p.

IGFA. 1994. IGFA World Records. International Game Fish Association, Pompano Beach, Florida. 40p.

IUCN. 1994. 1994 Red list of threatened animals. International Union for Nature and Natural Resources, Gland, Switzerland and Cambridge, U.K.

 

Rainer Froese

 

 

 

O que é novo na FishBase 97

As novas características mais marcantes da Fishbase são os inúmeros gráficos novos, na sua maioria concebidos e desenhados por Daniel Pauly e implementados por Portia Bonilla e Alice Laborte. Mais de 60 novos tipos de gráficos são criados na procura por espécies, taxa superiores, ambiente ou area geográfica, e produzem vários milhares de gráficos individuais, a maioria dos quais ainda foi visualizada por nós. No passado foi questionado se a realização de uma base de dados como a FishBase seria de facto investigação ou antes um exercício interessante compilação da informação já existente. Os gráficos da FishBase são a nossa resposta a esta questão. Vêja você mesmo.

 

Outras novas características da FishBase são:

 

·         2.500 espécies adicionais;

·         listas de espécies bastante melhoradas e revistas;

·         análise interactiva da produção por recuita de mais de 1.000 espécies;

·         200 novas séries temporais de recrutamento. Fornecidas por Ram Myers;

·         versões preliminares de bases de dados de PISCES, GENERA, e REREFÊNCIAS de Eschmeyer

·         séries temporais da Produção de Aquacultura da FAO;

·         novas e melhoradas fotografias a cores, a maioria de J.E. Randall;

·         tradução francesa do Glossário FishBase; e

·         mais informações para mais espécies.

 

O que não existe ainda na FishBase

Com cerca de 25.000 espécies conhecidas, os peixes são o maior e mais diversificado grupo de vertebrados. Registar informação-chave (taxonomia, biologia, utilidade para o homem) para todas estas espécies é uma enorme tarefa e a Fishbase não é de qualquer modo completa. Assim, pensamos ser justo mostrar uma lista de coisas que (ainda) não pode obter da FishBase:

 

·         Todos os peixes (temos actualmente >17.500 das 25.000 espécies);

·         Listas de espécies completas (dos 296 países/ilhas, estão completas 56 listas marinhas e 120 de água doce);

·         Listas de espécies de ecossistemas (começámos agora a definir ecossistemas e a designar-lhes espécies);

·        Todas as referências para todas as espécies ( só listamos publicações que contenham informação adequada e que tenha sido    usada até ao momento, >11.000);

·       Fotografias de todos os peixes (actualmente >12.000 fotografias para >6.000 espécies).

 

No entanto, com a ajuda dos nossos muitos colaboradores, tencionamos completar as tarefas acima mencionadas no ano 2000. Veja o capítulo sobre “Como pode ser um colaborador da FishBase…e porquê” se deseja juntar-se a nós neste objectivo.

Rainer Froese

 

Biodiversidade e “Pool” Genético

A FishBase inclui todas as espécies importantes para o Homem

 
Do ponto de vista do ICLARM enquanto membro do Conselho Consultivo para a Investigação Agrícola Internacional (CGIAR), a FishBase desempenha dois papéis importantes. Primeiro, pode ajudar as organizações de Investigação Agrícola dos vários países a conhecer e gerir melhor os seus recursos pesqueiros, quer em termos da conservação da biodiversidade, quer na sua exploração sustentada, fornecendo-lhes toda a informação disponível internacionalmente, para as espécies que exploram. Segundo, a FishBase enumera os caracteres genéticos das espécies e assinala a sua ocorrência e “status”, como por exemplo o faz a base de dados das variedades de arroz produzida pelo Instituto Internacional de Investigação do Arroz (IRRI) e o Instituto Internacional de Genética Vegetal (IPGRI). Nesta versão da FishBase, procurámos incluir todos as espécies de peixe importantes ou utilizadas pelas populações humanas. Embora a FishBase já contenha todas as espécies de vastas áreas africanas, norte americanas e do Atlântico Norte, nem todas as espécies dos diferentes ecossistemas estão designadas, portanto o seu uso para estudos de biodiversidade é ainda limitado. Para colmatar esta lacuna, planeamos encontrar financiamento para os talvez mais 5 anos de estudo que serão necessários (Froese and Pauly 1994; Froese and Palomares 1995; Froese 1996).

 

Referências

Froese, R. 1996. A data-rich approach to assess biodiversity, p. 127-132. In J.A. McNeely and S. Somchevita (eds.) Biodiversity in Asia: challenges and opportunities for the scientific community. Office of Environmental Policy and Planning, Ministry of Science, Technology and Environment, Bangkok, Thailand.

Froese, R. and D. Pauly. 1994. A strategy and a structure for a database on aquatic biodiversity, p. 209-220. In J.-L. Wu, Y. Hu and E.F. Westrum, Jr. (eds.) Data sources in Asian-Oceanic countries. DSAO, Taipei;CODATA, Paris.

Froese, R. and M.L.D. Palomares. 1995. FishBase as part of an Oceania biodiversity information system, p. 341-348. In J.E. Maragos, M.N.A. Peterson, L.G. Eldredge, J.E. Bardach and H.F. Takeuchi (eds.) Marine and coastal biodiversity in the tropical island Pacific region. Vol. 1. East-West Center, Honolulu, Hawaii.

Rainer Froese

 

A FishBase e os outros grupos aquáticos

Nos últimos anos, muitos colegas interessados, mas concerteza não familarizados com o design e o conteúdo da FishBase, perguntaram-nos porque não adaptar o sistema a outros grupos, como por exemplo, aos moluscos ou aos crustáceos.

 

O utilizador avisado da FishBase saberá, contudo, que “cobrir outros grupos para além dos peixes”, não é tão fácil como parece. O que permite a FishBase arrumar tanta informação sobre peixes é o facto de ter sido especialmente criada para o fazer. Assim, por exemplo, as tabelas que descrevem a morfologia das larvas e das formas adultas de peixes, são inúteis para a descrição de crustáceos. Muitas outras tabelas contêm campos que são específicos dos peixes, como por exemplo, os diversos tipos de comprimentos tomados quando se estudam peixes.

 

A duplicação de tais tabelas (um conjunto para cada grupo) tornaria a base de dados confusa, com muitas tabelas ou campos vazios, para a maioria das espécies. Como alternativa, poder-se-iam reduzir as tabelas àquelas que são comuns aos diversos grupos (por exemplo, nomenclatura, distribuição, etc). O resultado seria uma base de dados semelhante à FAO SPECIESDAB (Coppola et al. 1994; ver abaixo) que foi concebida para cobrir todos os grupos aquáticos com importância comercial, e de que a FishBase iria ser, sem dúvida, uma cópia.

 

É necessário um bom conhecimento de cada grupo zoológico

 
Acresce também, na nossa opinião, que trabalhar com grandes grupos como os peixes ou os crustáceos requer um grande conhecimento do grupo, da sua bibliografia e dos seus especialistas, ou seja, seria um objectivo difícilmente alcançado, por apenas uma equipa de investigadores.

 

Portanto, o que nós pensamos que deverá acontecer, será que os especialistas dos outros grupos desenharão bases de dados semelhantes à FishBase, para os seus próprios grupos zoológicos. Poder-nos-ão em todo o caso contactar para aconselhamento ou até para o fornecimento de tabelas e rotinas pré-programadas que adaptarão às suas bases de dados.

 

 

Referências

Coppola, S.R., W. Fischer, L. Garibaldi, N. Scialabba and K.E. Carpenter. 1994. SPECIESDAB: Global species database for fishery purposes.

User’s manual. FAO Computerized Information Series (Fisheries). No. 9. FAO, Rome. 103 p.

Daniel Pauly

 

 

 

 

Ictiologia

A Ictiologia, definida como “o estudo dos peixes” ou “aquele ramo da zoologia que trabalha com os peixes” tem uma longa e documentada história de vários milhares de anos, desde os antigos egípcios, indianos, chineses, gregos e romanos (Cuvier 1995).

 

Este longo e forte interesse pelos peixes é devido à sua dualidade como seres fantásticos dum mundo ainda desconhecido e simultâneamente como alimento humano. Gerou, através dos séculos, informação deveras heterogénea, maioritáriamente taxonómica, mas também nos campos da zoogeografia, da etologia, da dieta alimentar, dos pescadores, dos factores ambientais limitantes, etc.

 

A informação sobre peixes é esparsa

 
Esta grande quantidade de informação, incluída em bibliografia dispersa, forçou gradualmente os ictiologistas à especialização. Desta maneira os avanços nesta  área são globais, mas altamente especializados, (e.g., Eschmeyer “Genera” de 1990, ou Pietsch e Grobecker “Peixes-rã do Mundo”, de 1987, só para nomear dois exemplos conhecidos), ou locais e profundas (e.g. trabalhos da Europa do norte em bacalhau ou trabalhos Canadianos com salmão do Pacífico, ambos classificados como peixes paradigmáticos em muitas publicações). A FishBase apresentada aqui, e mais detalhadamente nos capítulos seguintes deste manual, é uma tentativa de fornecer informação importante sobre todos os peixes do mundo, ou seja, pretende ser global e profunda.

 

Campos de escolha múltipla estruturam toda a informação

 
A presente versão da FishBase contém informação sobre todos os peixes com interesse económico ou outro. Abrange mais de 17.500 espécies (isto é, cerca de 70% de todas as espécies existentes) e dá resposta às necessidades dum vasto leque de potenciais interessados, desde gestores de pesca a professores de biologia. As características próprias da FishBase, que lhe permitem resolver todas essas necessidades, residem na sua arquitectura, que usa modernas técnicas de relação em base de dados.

 

Outras características da FishBase:

 

·       toda a informação duma dada espécie é acessível através de um único nome científico ou comum;

·       um grande uso de escolhas múltiplas estrutura qualitativamente a informação;

·       informação normalizada é agrupada em campos numéricos;

·       numerosas relações cruzadas na informação permitem descortinar relações desconhecidas; e

·       a utilização de informações fornecidas por outros, com reconhecido crédito, classifica a FishBase como uma fonte de dados única no seu género.

 

A FishBase pode ser usada no ensino da Ictiologia

 
No que diz respeito ao ensino da biologia aquática ou até a cursos especializados de ictiologia, a FishBase dá respostas tanto às questões práticas como às teóricas:

 

·       o CD-ROM da FishBase pode ser usado directamente como fonte de dados (isto é, como uma enciclopédia de peixes electrónica), complementando fontes clássicas de informação (por ex. Zoological Records ou ASFA) e ultrapassa a falta de bibliografia científica em países em vias de desenvolvimento;

·       as figuras taxonomicamente correctas da FishBase podem ser utilizadas, como as dos livros de taxonomia, como guias visuais da diversidade dos peixes, e/ou das características específicas dos grupos;

·       os estudantes terão acesso ao estado do conhecimento científico sobre várias famílias de peixes, e assim podem criar projectos interessantes; e

·       as sinopses que a FishBase produz, reunindo e estruturando as entradas numa espécie, ajudarão os estudantes na obtenção de material de estudo (ver acima) e, mais importante ainda, dar-lhes-á a noção de como pequenas contribuições podem ajudar a conhecer uma espécie, e mostrar as suas relações com o ambiente (desta maneira encorajando uma visão holística, como é recomendado em investigação biológica).

 

Várias aulas de Ictiologia podem ser estruturadas à volta da FishBase, como ilustramos nos exemplos seguintes:

 

·       mostre fotografias da FishBase durante a introdução da aula, para realçar a diversidade e o colorido dos peixes, bem como as semelhanças da morfologia externa com outros grupos relacionados (isto pode servir para gerar interesse no curso no seu todo e dar início à taxonomia dos peixes);

 

·       compare os esquemas de classificação de peixes mais antigos em Cuvier (1995) com um mais recente, por ex., o de Eschemeyer “Genera” que é usado pela FishBase e que é idêntico ao de Nelson (1994), também frequentemente usado;

O conceito de espécie e as suas implicações

 
 


·       introduza o conceito de espécie, as suas exigências (descrição formal com figuras, um holótipo, a localização do tipo, etc) e implicações (sinonímia, espécies irmãs, etc) usando os exemplos da FishBase e o seu glossário na definição dos termos científicos;

 

·       defina as características (merísticas, morfométricas) pelas quais as espécies são definidas e até identificadas, e compare a identificação efectuada utilizando chaves dicotómicas com a identificação conseguida através da rotina FishBase;

 

·       mostre como as ocorrências museológicas e outras, como as incluídas na FishBase podem ser usadas para definir distribuições geográficas e habitats, que podem depois ser usadas para inferências ecológicas;

 

·       mostre como a distribuição em latitude das espécies de peixes pode ser usada para testar várias hipóteses, como por exemplo, sobre a relação existente entre a diversidade de peixes na plataforma continetal (para as espécies marinhas) ou área terrestre (para as espécies dulciaquícolas);

 

·       defina e ilustre as estratégias biológicas das espécies e analise a sua frequência de distribuição no mundo. Mostre, por ex., que a anatomia típica dos salmões é extremamente rara nas espécies subtropicais e tropicais (este facto está bem documentado apenas em Tenualosa ilisha, desde o Iraque ao Bangladesh. Mostre como é possível conhecer as frequências relativas de várias estratégias e deduzir explicações a partir daí.

 

·       peça a cada aluno para escolher uma espécie, imprima a sinopse de cada uma delas, constante na FishBase e complemente com bibliografia actual (e envie para a equipa da Fishbase); e

 

·      

A FishBase pode ser usada como base de licenciaturas e teses de mestrado

 
proponha raciocínios dedutivos aos alunos àcerca das relações quantitativas entre diferentes expressões da fisiologia (por ex. respiração, crescimento), temperatura (e portanto latitude) e procure identificar os factores influentes (salinidade,  área das brânqueas, tipo de dieta, etc.).

 

Para a formação superior a FishBase pode servir de apoio a estágios de licenciaturas ou teses de mestrado.

Duas teses deste tipo - uma àcerca de larvas de peixes do Mediterrâneo, e outra de Achenbach (1990) em patologia de peixes, foram apoiadas por R. Froese a pedido dos seus orientadores.

O responsável do projecto FishBase gostaria de ser informado de projectos deste tipo, que poderão acrescentar novas tabelas a versões futuras da FishBase.

Referências

Achenbach, I. 1990. Aufbau und Entwicklung eines rechnergestützten Informationssystems zur Identifikation von Fischkrankheiten. Christian-Albrechts-Universität, Kiel. 58 p. MS Thesis.

Cuvier, G. 1995. (French original 1828) Historical portrait of the progress of ichthyology, from its origin to our own time. Translated by A.J. Simpson and edited by T.W. Pietsch. The Johns Hopkins University Press, Baltimore. 366 p.

Eschmeyer, W.N. 1990. Catalog of the genera of recent fishes. California Academy of Sciences, San Francisco. 697 p.

Nelson, J.S. 1994. Fishes of the world. 3rd edition. John Wiley and Sons, New York. 600 p.

Pietsch, T.W. and D.B. Grobecker. 1987. Frogfishes of the world. Stanford University Press, Stanford, California. 420 p.

Daniel Pauly

 

Questionário sobre peixes (Fish Quiz)

A FishBase pode ser divertida

 
Estudar os peixes pode ser divertido. Assim, criámos um questionário sobre peixes que o tornará um perito na identificação rápida de peixes, pelo menos ao nível da ordem ou até da família a que pertencem.

 

Basicamente, o jogo propõe três níveis de dificuldade à escolha: com pictogramas da família, com fotografias de indivíduos adultos ou com larvas de peixe. Depois é criada uma série aleatória dessas fotografias e é mostrada a primeira com várias respostas possíveis para a classe, ordem e família (e também espécie, caso tenha sido escolhida esta opção). O jogo é simples, sem tempo limite de resolução, nem quadro de recordes.

 

Melhoramentos recentes permitem seleccionar espécies por país e habitat, ou seja, é possível treinar o reconhecimento das espécies dulciaquícolas, por exemplo, da Formosa. Obviamente o jogo melhora sempre que nos for autorizada a inclusão de mais fotografias.

 

O esquema descrito acima contempla também fotografias de larvas de peixe, sem dúvida útil para quem trabalhe em ictioplâncton. Outro jogo que pretendemos incluir será criado a partir do popular jogo da forca, ou seja, a partir da fotografia duma espécie o jogador terá que preencher o seu nome nos espaços, antes de ser devorado por um tubarão (em vez de enforcado). Se tiver alguma sugestão de jogos realizáveis, contacte-nos. Nós tentaremos implementar a sua ideia.

Como jogar

Para iniciar o Fish Quiz, digite o botão Fish Quiz, no Menu Principal da FishBase.

 

As imagens digitalizadas devem ser vistas em monitores com 65.000 cores (256 é suficiente).

Rainer Froese e Portia Bonilla

 

Como nasceu a FishBase

A FishBase foi concebida em 1987

 
Um dos antecedentes da FishBase foi o trabalho e a visão do Dr. Walter Fisher, FAO, que entusiasmou especialistas de todo o mundo no sentido de colaborarem na produção das primeiras Folhas de Identificação (Fisher 1973) da FAO e seguintes e na publicação, através do Programa de Identificação e Dados das Espécies da FAO, de uma longa e útil série de Sinopses de Espécies e o Catálogo de Espécies da FAO (Fisher 1976). Walter Fisher também se apercebeu da necessidade duma base de dados global sobre peixes e invertebrados explorados do mundo. Tudo isto levou à criação da base de dados SPECIESDAB da FAO (Coppola et al. 1994; ver abaixo).

 

Daniel Pauly seguiu este processo com muito interesse. Inclusivamente, usou sempre, desde o começo do seu trabalho de campo na Indonésia, nos anos 70, os produtos da FAO, aos quais reconhecia muita utilidade, especialmente para trabalhos nos trópicos. Integrou em forma de fichas toda a informação disponível sobre dinâmica de populações de peixes e inspirado pela visão de Walter Fisher, sugeriu, em 1987, que todos esses dados deveriam ser transferidos para uma base de dados standardizada e actualizada continuamente, a qual  tencionava usar na sua própria investigação e torná-la acessível a todos, através do projecto de software ICLARM.

 

Esta ideia foi discutida então com Rainer Froese, do Institut für Meereskunde, em Kiel, Alemanha, que trabalhava nessa altura nas capacidades dos computadores e dos sistemas de vídeo em geral e na inteligência artificial (IA) em particular como auxiliares de identificação e que tinha exactamente nessa altura criado um sistema computorizado para a identificação de larvas de peixe (Froese and Schofer, 1987; Froese, 1988, 1989, 1990; Froese at al. 1989, 1990; Froese and Papasissi, 1990).

 

A ideia de criar a FishBase foi de Daniel Pauly na apresentação do plano quinquenal do ICLARM (ICLARM, 1988), e já com propósitos ambiciosos, como se pode ler:

“A falta de informação existente nas pescarias tropicais não pode ser ultrapassada só com meios clássicos, tais como mantendo enormes bibliotecas, encorajando empréstimos inter-bibliotecas ou trocas electrónicas de informação. Em vez disto, é de esperar que reduções nos fundos para essas actividades as tornem cada vez mais problemáticas, contribuindo deste modo para aumentar o isolamento entre os cientistas que trabalham nos recursos tropicais e até a própria evolução científica.

 

Propomos, para minorar este problema, a criação duma base de dados auto-suficiente utilizável por microcomputadores comuns (....) que fornecerá dados importantes e informação extraída da literatura. Quantidades enormes de livros seriam desnecessárias deste modo. A base de dados constituiria, portanto, um sistema especializado (um sistema de informação utilizando inteligência artificial cujos comandos e questões a pôr serão feitas em inglês corrente).

 

A FishBase não é um sistema para especialistas

 
A informação incluirá chaves de identificação de espécies, dados morfológicos, um sumário sobre o crescimento e a mortalidade de cada espécie e um sumário de dados biológicos também de cada espécie. Inicialmente, será fornecida informação sobre 200 espécies mais importantes em disquete, futuramente este número será alargado até 2.500 espécies.”

 

A DataEase foi uma boa escolha para o protótipo da FishBase

 
Rainer Froese de imediato tentou adaptar este tipo de sistema à linguagem de programação AI PROLOG. No entanto, quando percebeu que teria de trabalhar com mais de 1.000

variáveis, desistiu desta opção e  tentou com as bases de dados relacionais conhecidas na altura (dBase, FoxBase, Clipper, Paradox, Oracle, Btrieve, Ingres). Achou-as limitadas, difíceis de programar, requerendo pagamento de direitos de autor, ou simplesmente não utilizáveis em PCs. Afortunadamente, tomou contacto com a DataEase, uma base de dados relativamente desconhecida, que combina um poder de relacionamento grande, com uma facilidade de uso excepcional.

 

Quando Rainer Froese foi convidado por Daniel Pauly para visitar o ICLARM em finais de 1988, trouxe com ele o projecto do que viria a ser a FishBase, implementada a partir da DataEase. Este projecto foi afinado, tabela a tabela, campo por campo, numa série de reuniões com os cientistas do ICLARM, Daniel Pauly, Roger Pullin, Ambekar Eknath, Astrid Jarre e Maria de Lourdes D. Palomares. Também os programadores do ICLARM, Felimon Gayanillo, Jr. e Mina L. Soriano reviram o projecto. Depois de longas discussões concordaram que:

 

·       usar o software duma base de dados já comercializada seria melhor do que programar o sistema a partir do zero; e

 

·       a DataEase seria uma boa escolha para a construção do protótipo da FishBase, até à disponibilização de um software melhor (Froese et al. 1988).

 

Finalmente, em Dezembro 1988 foi comprado um computador (o primeiro 386CPU da ICLARM) e assim começou a introdução de dados, pelos assistentes de investigação Susan M. Luna e Belen Acosta, em regime de “part-time”.

 

SPECIESDAB

Em Janeiro de 1989, Daniel Pauly e Rainer Froese visitaram a FAO em Roma, para coordenar os esforços na FishBase e na SPECIESDAB, uma base de dados concebida por Walter Fisher (ver acima), implementada a partir da dBase por Rino Coppola e compilada por Nadia Scialabba.

 

A SPECIESDAB contém os nomes científicos e vernáculos, bem como informação básica ecológica e pesqueira das espécies constantes do Catálogo das Espécies da FAO. O trabalho na SPECIESDAB começou em 1986 e em 1989 já cobria todos os catálogos publicados. A visita acabou com a assinatura em 15 de Novembro de 1989 dum protocolo entre o ICLARM e a FAO, declarando que o ICLARM e a FAO colaborariam no desenvolvimento da FishBase e que as duas organizações seriam encarregadas da sua distribuição. Este protocolo deu à FishBase uma boa base de suporte e provavelmente teve influência no seu primeiro financiamento.

 

O primeiro financiamento

Seguindo a iniciativa de Rainer Froese, a Comissão Europeia aceitou custear o projecto em Outubro de 1989, o que permitiu contratar mais uma assistente de investigação (Crispina Binohlan) para codificar a informação (também Susan M. Luna ficou ligada em “full-time” ao projecto, enquanto que Belen Acosta voltou ao seu trabalho anterior), a compra de computadores (primeira ligação em rede do ICLARM), e outra visita de Rainer Froese ao ICLARM em Dezembro de 1989, para supervisionar a introdução de dados e escrever a proposta de pedido de financiamento à Comissão Europeia.

 

Este financiamento foi garantido e em Setembro de 1990 a FishBase iniciou-se como um dos maiores projectos do ICLARM sob a direcção de Daniel Pauly e com Rainer Froese como coordenador.

 

Gabriella Bianchi                   

                                                    Gabriella Bianchi, que participou no Programa de Identificação de Espécies da FAO como autora e editora de várias publicações importantes em peixes tropicais, trabalhou com a equipa FishBase durante duas semanas em Agosto de 1992. Realçou o problema da sinonímia em ictiologia; também reviu a tabela MORfologia que foi modificada segundo as suas sugestões. No cômputo geral concluiu,  “a base de dados parece-me bem estruturada e inteligível. Naturalmente que apesar das 6.000 espécies já incluídas, a informação é ainda limitada”.

 

Kent Carpenter                      

São distinguidas fontes de informação primárias e secundárias

 
                                                    A FishBase foi revista pela segunda vez por Kent Carpenter, participante em projectos da FAO (1990-1995). Esteve duas semanas (de 23 de Junho a 8 Julho de 1993) com a equipa FishBase, e reviu a informação que forneceu para duas famílias, a Caesionidae e Lethrinidae, nas quais é especialista mundial. Como crítica referiu que não tínhamos nenhum mecanismo para assegurar que as informações “boas” (isto é, produzidas por especialistas mundiais, como os autores dos Catálogos das Espécies da FAO) se sobrepusessem a outras fontes e que essas mesmas informações não fossem sobrepostas por outras, sem o consentimento desses especialistas. Esta crítica diz respeito apenas a informação “secundária”, tais como listas de espécies produzidas por departamentos de pescas, estudos faunísticos baseados em informação taxonómica não publicada ou desactualizada e estudos faunísticos  realizados por outros autores, que não especialistas.

 

Aceitámos a crítica e começámos a idealizar processos para alcançar esse nível de qualidade. O projecto fez um esforço para usar as últimas revisões para o maior número de famílias possível, no sentido de actualizar as tabelas ESPÉCIES, SINÓNIMOS, STOCKS, PAÍSES e MORFOLOGIA. As espécies e as famílias actualizadas segundo este critério estão marcadas, para alertar os utilizadores desse facto. As espécies baseadas em informação de não especialistas também estão marcadas como tal. Serão gradualmente actualizadas.

 

A Workshop em Anilao        

Tivemos de optar entre o necessário e o desejável

 
                                                    Os peixes são importantes para a humanidade de muitas maneiras e após três anos de trabalho, descobrimos que tínhamos começado mais mini-projectos (cada tabela é um) do que os que poderíamos concluir em tempo útil. Assim, de 9 a 10 de Setembro de 1993 a Equipa FishBase recolheu-se num aldeamento turístico em Anilao, Batangas (a sul de Manila) para decidir sobre a resolução deste problema. Ao fim de dois dias, separámos o desejável do necessário e programámos o futuro de acordo com a estimativa do que cada equipa seria capaz de produzir no ano que restava, antes do lançamento da base de dados. Várias tabelas foram eliminadas (AQUARIUM, BREEDSYS, COMPETITORS, ECOREF, ECOSYSTEM, EGGNURS, FRYNURS, GAZETTEER, LARVNURS, MUSEDAT, SHARKMORPH), outras mantidas, mas com menor ênfase (DISEASES, DISREF, OXYGEN, SPEED, OCCURRENCES, GILL AREA, EGGDEV, VISION). Olhando agora para trás, foi este workshop que nos permitiu acabar o trabalho em Setembro de 1994, com apenas duas semanas de atraso.

 

Da DataEase ao

Microsoft Access                   Há muitos anos que versões preliminares da FishBase têm sido instaladas em muitos Institutos de Investigação no mundo. Contudo, este processo de instalação revelou limitações da DataEase para criar um produto livre de direitos de autor.

 

O Microsoft Access requer o mínimo de programação

 
O módulo de operação da DataEase é difícil de criar e limitado em funcionalidade. Um módulo um pouco melhor, teria custado o dobro dos direitos de autor, do que o CD-ROM que utilizámos. Também em Setembro de 1994, ainda não existia nenhuma versão da DataEase que funcionasse a partir do CD-ROM. Como o mercado dos computadores pessoais (PC) começou a utilizar maioritariamente a Interface Windows da Microsoft, decidimos que também a FishBase a deveria adoptar. A meio de 1993 avaliámos todas as bases de dados para Windows (Microsoft Access, Paradox, Foxpro, SuperBase) e adoptámos a Access, principalmente por ser a que requer menos programação. Portia Bonilla encarregou-se de adaptar as tabelas FishBase ao Access em Dezembro de 1993, mas só umas semanas antes da publicação tínhamos tudo preparado para transferir permanentemente os ficheiros para a Access.

 

Tony Pitcher e Jeffrey

Polovina                                   O programa dos Recursos Costeiros e Recifes de Coral do ICLARM (CCRRSP) do qual a FishBase é o maior dos projectos integrantes, foi revisto em Abril de 1994, pelo Comité do Programa ICLARM e por dois revisores externos, T. Pitcher e J. Polovina, que escreveram àcerca da FishBase: “É ambiciosa. Será um bom instrumento e aconselhamos a transferência de dados para o Windows Access para permitir mais buscas. Há que tomar consciência que a primeira edição terá erros e que haverá que solicitar mais revisões”.

 

Em Setembro de 1994, saíu o primeiro CD-ROM do ICLARM

 
O primeiro CD-ROM               Quando iniciámos o projecto, partimos do princípio que a memória dos PCs iria evoluir no sentido duma maior capacidade de armazenamento da informação, ainda antes do lançamento da FishBase. Isto tornou-se realidade e em Agosto de 1994 era possível comprar uma drive CD-ROM, um disco rígido de 1 gigabyte e um conjunto multimédia por apenas 8.000 dólares. Em Setembro produzimos o primeiro CD-ROM do ICLARM (disco de demonstração da FishBase) e em Dezembro deu-se início à produção final da FishBase e de mais alguns outros CD-Rom do ICLARM.

FishBase 100

A FishBase 1.2 atingiu mais de 400 utilizadores em 72 países

 
Produzir um CD-ROM é uma coisa, produzir 100 ou 1.000 cópias é outra completamente diferente. Os pedidos para a obtenção da FishBase depressa ultrapassaram a nossa capacidade de produção e tivemos que estudar outras opções. Nas Filipinas só existia um produtor de CDs comerciais, mas sem nenhuma experiência em CD-ROM. Foi muito duro ultrapassar a grande série de problemas que se nos depararam, mas por fim, em 6 de Abril de 1995, recebemos as primeiras 130 cópias, a que chamámos FishBase 100, para serem distribuídas pelos colaboradores e a alguns compradores. Assim, ao fim de 5 anos de suor e lágrimas (sem sangue) tornámos o nosso sonho realidade.

 

Em Setembro de 1995 foram produzidas 1.000 cópias da FishBase 1.2, as quais foram amplamente distribuídas, e que nos ajudaram a estender a nossa base a mais de 160 colaboradores e 400 utilizadores. Uma análise destes primeiros utilizadores mostrou a seguinte distribuição: Universidades 36%, Governos 14%, Sector Privado 14%, Intituições Internacionais de Investigação 8%, Museus 7%, Cidadãos 6%, Organizações Não-Governamentais 5%, Livrarias 4%, Nações Unidas 4%, e Doadores 3% (c.f. Fig.1 para uso da FishBase 96). Apesar de a FishBase ter alcançado o previsto leque de utilizadores, o seu pricipal alvo, as Direcções Gerais das Pescas, não foi bem representado. Esta análise foi confirmada pelo facto de apenas 36% dos utilizadores pertencerem a países em vias de desenvolvimento. Medidas adicionais foram necessárias para atingir os grupos pretendidos. (ver ‘Projecto ACP’, abaixo).


 

 


Fig.1. Utilizadores da FishBase 96 por instituição.Cerca de 46% dos utilizadores pertencem a países em vias de desenvolvimento.

 

Revisão na Nature

A FishBase 1.2 foi analisada por R. A. McCall e R. M. May na revista Nature, Vol. 378:735, de 31 de Agosto de 1995. Sob o título, More than a seafood  platter, os autores concluem: “Resumindo, a FishBase une e torna acessível uma enorme quantidade de informação àcerca de peixes e de pescas, que se encontrava escondida na “literatura cinzenta” dos relatórios dos Institutos das Pescas ou dos seus colaboradores. [...], talvez ainda mais importante, e certamente mais próximo dos desejos dos autores, beneficiará os países em vias de desenvolvimento, onde a falta de bibliotecas de especialidade é por demais sentida.”

 

A FishBase 1.2 foi também analisada por K. Matsuura (1995) no Jornal Japonês de Ictiologia, Vol. 42 (3/4):342.

 

FishBase 96

Em Junho de 1996 foram produzidas 1.000 cópias da FishBase 96. O sufixo 96 foi escolhido para demonstrar a nossa intenção de produzir actualizações anuais.

 

A FishBase 96 foi a primeira versão completamente testada da FishBase, graças ao excelente processo de revisão organizado por Maria Lourdes D. Palomares. A interface foi significativamente melhorada, com mais e melhores fotografias, com os primeiros gráficos, com a possibilidade de identificação rápida, e abragendo 15.000 espécies de peixes ósseos.

 

A FishBase 96 atingiu cerca de 1.000 utilizadores (Fig.1), ganhou inúmeros colaboradores, e contribuiu para obter o financiamento da ACP-EU (ver abaixo) que irá suportar futuros melhoramentos e distribuições. Devido ao aumento de contactos neste projecto, o número de utilizadores nos países em vias de desenvolvimento já subiu para 46%, em relação aos 36% alcancados com a Fishbase 1.2.

 

Em Abril de 1996, o papel do ICLARM no desenvolvimento de bases de dados foi revisto. Foi constatado que seria necessário um mínimo de 70.000 a 80.000 dólares por ano para a manutenção a longo prazo de bases de dados como a FishBase. Foi igualmente recomendada uma acção continuada do ICLARM no desenvolvimento de bases de dados.

 

Journal of Fish Biology

A FishBase 96 foi revista no Journal of Fish Biology 50(3):684-685 por R.J. Wootton. Ele criticou a encadernação do manual da FishBase 96 (o que é verdade, especialmente quando comparado com a deste volume) e o facto de “para taxa comuns, importantes fontes bibliográficas ainda não teram sido introduzidas”.Ele salientou ainda que “o método de reunir informação de diferentes tabelas para criar novas combinações não é muito claro”. O problema de informação imcompleta é discutido mais adiante. As muitas caixas novas existentes na FishBase 97, fornecendo indicações sobre os novos gráficos deverão, em parte, resolver este problema. Na revisão é concluído que: “No geral, a importância desta base de dados, se puder ser progressivamente alargada, é incalculável.”

 

Várias revisões da FishBase 96 estão ainda a ser ultimadas.

Workshop Los Baños

Em Agosto de 1996, a equipa da FishBase realizou um workshop de dois dias com o apoio logístico do Instituto I